Mesmo que jamais fosse retrocede
Ao apelo do que houvera de ter sido um dia.
Cá dentro pediria por manhãs ensolaradas,
Noites solitárias e tardes sorrateiras.
Talhado para além das vastas secas,
Esse menino moço de pés descalços.
Servo do rei no reino daqueles versos,
De todo meu esquio aos males de alabastro.
A imagem penitente na tortura das pedras de rosário.
Diz-me: Não tem comida e, não tem sorte.
Interminável como o sertão de açucenas. .
Emoldurada no uníssono das agonias.
Pobres sentidos que vezes enganam.
E meus apegos? Estes partiram nem eu sei quando.
- Ani Veloso ( Moço de pés descalços )
A tarde é levada junto ao anuviar de um céu cinza e contrito
E confabulo teus sorrisos para um outro alguém,
Tu apareces por de trás de minha sombra e beija-me o rosto.
O furor é meu peito, e o seu também.
A lua assiste estagnada em sua esplendorosa magnificência,
Os cristais de chuva cair sobre a janela.
E no precipício dos poetas me resta,
Descrever-te ao canto exaltado dessa celesta.
Minha amada o teu olhar reponta as manhãs.
Tua beleza de arrebol deixa-me tresloucado.
Tu és o meu jardim inaudito,
O encanto beato.
Seu sorriso é de um suave infindo.
Primoroso é o deleite de tua voz.
Tua verdade é um férreo,
Que a minha fleuma desaba.
O brilho assíduo de tua pele desnorteia-me,
Perturbando meus pensamentos ao mirar de teu semblante.
Vejo-te no lúgubre de teus poemas abrasados.
Quero-te, com o anelo de cada instante.
Sim, a quero. Você que inspira o coração do poeta,
A tela do artista, a curva da musa e a nota mais aguda.
Deixe-me perder mais fundo nos enrolados de teus cachos,
Deixe que me perca nos teus versos. Morena.
- Ani Veloso ( Morena )
Fechei meus olhos e me deixei encaixar no abraço dela, cheia de saudade, apertando-a entre os braços com uma pressão gentil, na ânsia de afogar todos aqueles sentimentos que me atropelavam. Lucia se colocou na pontinha dos pés para passar os braços por cima dos meus ombros e me apertar também, enquanto deixava que meus braços envolvessem ainda melhor a sua cintura diminuta. Afundei o rosto nos cabelos dela e sorvi o cheirinho gostoso que vinha deles, sorri, isso não havia mudado.
― Ainda com isso de usar shampoo de criança? – afundei mais o rosto entre aqueles cabelos finos e apertei-a mais ainda contra mim, chegando a erguer um pouco seu corpo pequeno do chão.
Ouvi-a rir baixo enquanto meus lábios alcançavam a pele por baixo dos seus cabelos, beijando-a com carinho por toda a porção do seu pescoço que consegui descobrir, ela riu mais alto e se encolheu no abraço, larguei-a e corri os olhos pelo prédio em frente, onde ela disse morar. Creio que ela tenha entendido a mensagem, pois logo escapou do meu abraço, ajeitando os cabelos que eu havia bagunçado e pegando a latinha novamente em cima do muro enquanto me indicava a escada com um gesto de cabeça e já subia o primeiro degrau. Suspirei cansada, e ajeitei a mochila no ombro enquanto a seguia.
- Ani Veloso ( Coisas que eu conto por ai )